segunda-feira, 8 de outubro de 2012

As voltas que a vida dá


No fim-de-semana recebemos a visita de amigos. Para mais uma conversa, e para um último abraço antes do regresso a Portugal.

Por coincidência acabamos perceber que o nosso passado ainda estava tão presente num casal que os acompanhou. Um passado que tentamos esquecer, mas que ontem nos fez tão bem recordar. Recordar aquelas pessoas que passaram na nossa vida e que felizes ou infelizmente tivemos de deixar para trás.

A parte triste foi perceber que a vida com que os imaginávamos num dos casos em particular já não existia. A minha primeira companheira de casa quando cheguei a Angola morreu à 4 anos sem que eu o soubesse.

Da última vez que nos vimos estava empolgada a preparar o casamento. Prometi visita a Benguela para conhecer o novo apartamento, a nova vida. Visita essa que nunca aconteceu porque a vida me trocou as voltas. A última vez que falamos esta tinha-se livrado do fantasma "F" que a perseguia a ela e ao namorado. Tinha cortado amarras também ela com o passado e estava a começar uma nova vida que se iria iniciar dali a uns meses com o casamento. Nunca cheguei a receber o convite como prometido. Tive de me afastar dela e dos que me diziam algo por motivos que agora aqui não interessam (talvez um dia).

Imaginava-a casada, talvez com um filhote, mas feliz e nunca da maneira que me vi confrontada ontem. A Ana morreu há 4 anos. 1 Ano após casar. Morreu numa estrada de 30 km entre Lobito e Benguela porque um carro que se atirou para cima dela. Não teve hipótese de sobreviver. Ninguém a deixou ter a segunda chance que ela desejava.

Um fim-de-semana que tinha tudo para ser feliz deixou-me com um gosto amargo na boca, com vontade de ir a Benguela dar um abraço ao marido, dizer que estamos aqui por ele mesmo ao fim de 4 anos. Mas não posso, não podemos, pelo menos para já. Enquanto não fizermos as pazes com o passado Benguela continua a ser um sítio "proibido".

As vidas perdem-se e nós só temos de aceitar o facto. Mas que fiquei em choque fiquei e ainda ontem à noite o meu último pensamento foi para ela. Para a minha primeira companheira de Angola, aquela que me ajudou a suportar 2 meses longe do meu amor.
 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O dia em que o nosso coração quebra pela primeira vez

Ontem após o jantar, enquanto o pai assistia ao FCP-PSG eu e a M ficamos sentadinhas na sala. Eu a ver o telejornal e ela enroscada em mim a ver o Dumbo - filme favorito do momento - no DVD.
às tantas abraça-se a mim com toda a força do mundo e começa a chorar baixinho encostada ao meu peito. Aflita perguntei o que se passava. Alguma dor, alguma birra, sono talvez. Levanta os olhos cravados de lágrimas e só me pergunta:
 
"Mamã não me deixes. Não me deixes nunca. Não me abandones. quando o mano M nascer posso continuar a ser o teu bebé?"
 
Naquele instante o fiquei sem chão e só consegui chorar agarrada a ela. Triste e com um nó na garganta por ela se sentir perdida e por eu estar a tentar de tudo para a prender a mim e transmitir-lhe segurança. Orgulhos por ver a minha M tão crescida a ser novamente bebé mas a mostrar sentimentos. Mostrar que o coração e a cabeça dela estão confusos mas que a confiança que tem em mim é tão mas tão inabalável que consegue abrir-me o seu coração pequenino no estado mais puro que existe.
 
Apesar do barrigão peguei nela, embalei-a e disse que será o meu bebé para sempre. Tentei explicar que o meu coração é grande e cabem lá todas as pessoas importantes. E que ela é a mais importante de todas e sempre o será. Disse que o mano M vai ser importante na minha vida, mas ela será sempre a primeira. Disse isso de coração porque é o que sinto! Não menti e fui sincera com ela.
 
Expliquei que quando ela for maior e tiver os bebe´s dela vai compreender melhor e que da mesma maneira que gosta do pai e da mãe igual. As mãe e o pai também podem gostar igual dela e do mano M.
 
Passamos a noite nos mimos, com choro pelo meio, com abraços e promessas de nunca nos separarmos. Adormeceu tranquila.
 
Eu? Eu tenho o coração partido em mil bocados e ando a tentar colá-lo. A minha bebé está a crescer e o saber que os sentimentos começam a despontar e que não a vou poder proteger nem acalmar aquele coração inseguro para sempre.
 
 


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Os pratos da balança

Como em todas as decisões na vida temos sempre de pesar os prós e os contras das nossas atitudes, das nossas decisões e assumir a decisão que poderá mudar a nossa vida para sempre. Eu assumi a minha aos 25 anos. Quando ainda me sentia muito menina dos meus pais e quando ainda precisava de mimo. A decisão já martelava à muito na minha cabeça. Talvez desde sempre até pois sempre me imaginei em aviões e a ter o aeroporto como uma segunda ou terceira casa. Apenas pensei que o meu porto seguro seria para sempre em Portugal e a vida nisso trocou-me as voltas. Não sai antes porquê?

Não foi por falta de oportunidade. Foi porque a minha pessoa, a minha avó/mãe na altura era vida e eu não me sentia capaz de cortar o laço que nos unia. Não conseguia e não queria. Por ela abandonei um Erasmus a 1 semana da partida. Por ela passei as aulas para regime nocturno, abandonei temporariamente um emprego em part-time para a acompanhar no último ano de vida dela. Na altura a balança pesou para ficar e eu fiquei.

Em Junho e com 25 anos, exactamente 1 anos após a sua morte tive a primeira entrevista para iniciar a minha viagem. Por sorte ou por "obra dela" fiquei logo colocada e em Outubro soltei as amarras do meu cais e deixei-me vir. Deixei pais, namorado, irmãos, família. Deixei os abraços diários e os beijos repenicados da família a troco de experiência profissional, mais salário mas acima de tudo mais oportunidade de evolução e reconhecimento do meu trabalho. Deixei um emprego estável (ia passar aos quadros) por uma maluqueira como me disseram na altura. Fiz o meu destino e peguei a MINHA vida e coloquei-a nas mãos que quem melhor sabe olhar por ela. EU!

Não esperei ajuda do estado, nem de ninguém. Não esperei por pena ou simpatia. Apenas pedi que aceitassem as minhas escolhas. E que me apoiassem caso fossem meus amigos e família de verdade. O pior dia da minha vida foi o dia em que embarquei naquele avião. Tremia e chorava. Sem saber o que me esperava à chegada. Mas tentei (se bem que sem sucesso) engolir as lágrimas e vim viver a minha vida. Na altura tinha a esperança que ao voltar teria à minha espera as pessoas que realmente iria valer a pena abraçar. Quem não estivesse lá tinha por fim mostrado que deveria ser riscado da minha vida. O meu maior medo era perder o G, mas sabia que esta distancia também iria servir para reforçar o que existia entre os dois, ou para quebrar de vez a relação caso a este fio fosse fraco.

Ao fim de 2 meses ele estava cá à minha espera. Aliás estava já de passaporte na mão e malas feitas pronto a embarcar nesta minha, agora tão nossa aventura. Saímos na altura em que já se falava em crise. Não estará Portugal em crise desde sempre?

Assistimos a negócios do arco-da-velha, a contractos ruinosos feitos pelo “nosso” governo, assistimos à queda de um governo e ao nascimento de outro. Assistimos a manifestações. E o que fazemos? Rimos. Porque para nós Portugal tem o Governo que merece. Portugal tem o Governo que os Portugueses escolheram. Toda a gente se queixa da chico-espertice dos governantes e políticos. Mas será que fazem o certo?

Acredito que exista pessoas boas em Portugal. Pessoas que se interessam e que pagam os impostos e tudo o que devem pagar a bem da evolução do País. E os outros? Os que vivem à mama dos subsídios, os que têm esquemas onde descontam salário mínimo mas vivem em cascais, ou na quinta-do-conde e têm uma colecção de mercedes à porta? E aqueles que dizem não que trabalhar e andam a fazer perninha nas obras, nos biscates ou nas limpezas? Pois ninguém fala deles. Mas não serão estes a maioria? Aqueles que atiram pedras ao Governo mas que depois também têm telhados de vidro.

O que o Governo faz apenas é um aumento para grande escala do que os Portugueses fazem. Olhar apenas para os seus umbigos e tentar tirar o máximo de vantagem em proveito próprio de toda e qualquer situação. Quando o povo resolver ir ao centro de emprego ou segurança social e informar: “Tirem-me das listas de desemprego, tirem-me o RSI, afinal eu trabalho, eu produzo, eu quero participar activamente na economia e desenvolvimento deste país”, nesse dia poderemos exigir mundos e fundos do nosso governo e poderemos enfim começar a atirar pedras. Aí sim os senhores governantes abrirão os olhos e verão que já não estão a gerir um povo, inculto, ignorante e que só olha para o umbigo.

Neste ultimo ano tenho sido atacada, contestada por amigos, família e conhecidos. Todos me acusam à boca cheia que só falo assim porque estou bem na vida. Tenho contrato, tenho boa vida ponho comida na mesa para sustentar a minha casa. Sim tenho isso tudo.

Mas o que eles se esquecem é que não tenho um beijo da minha mãe todos os dias. A Matilde está a crescer sem avós. Vejo o meu avô ter um AVC, perder uma perna por causa dos diabetes. Perder a outra perna e entrar em depressão. Viver com o coração nas mãos sem saber se irá sobreviver até ao dia da próxima viagem. Deixe a minha irfilha com 15 anos, numa altura que ela mais precisava de mim. Sim também eu pago um preço. Não um preço monetário mas um preço sentimental. Qual valerá mais. Será menos válido só porque não esse preço não é contabilizado com vil metal?

Oportunidades, todos têm. Resta a cada um de nós pesá-las na balança e ver qual a atitude que deve tomar. Pegas na vida nas próprias mãos e deixar-se de queixar do que a vida não lhes dá. E não me venham foder a cabeça com o “tu não percebes”. Percebo até bem demais.

Percebi-o há 6 anos e sei que na MINHA altura tive coragem e arrisquei. E a vida apenas me deu o que dela eu exigi.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

ZAP

O G está na sala a ver o Paços de Ferreira - Benfica.
O que tem isto de interessante para constar no blog.
Parece-me que a ZAP só pagou os direitos de imagem, por isso o jogo está a ser visto ao som de nusica ambiente (sim aquela pirosa que costumam por quando a emissão é suspensa). Pachorra mesmo só para um grande amante de futebol (e que por acaso nem é do benfica).

Será que é a isto que chamam amadurecimento?

Deixei de ter pachorra para a simpatia de borla. No outro dia confidenciei pela primeira vez uma situação que me perseguia há muito e senti-me mais leve.
Deveria ter por volta de 17 anos e na faculdade, numa qualquer cadeira de psicologia ou uma merda do género (sim antes de ser engenheira tive um ano com a mania que era artista e fui estudar cinema) tiramos um papelinho de uma tombola e tínhamos de descrever a pessoa em 3 palavras. Aos poucos lá fomos correndo colegas sempre com palavras carinhosas e delicodoces. Quando chegou ao meu papel (que por acaso tinha ido parar à mãos de uma das gajas que mais curtia na sala levei um baque.
Fria, orgulhosa e arrogante!
Fiquei a olhar para a sala à ver quem teria tamanhos defeitos e nenhuma virtude (no meu ponto de vista claro).
Em menos de 5 segundos várias vozes se levantaram. Z! E eu só pensava: Estes gajos estão doidos! Mas afinal não. Era mesmo a minha descrição. Senti-me aos poucos a encolher, a ficar pequenina, sentir o chão fugir debaixo dos pés não é coisa agradável de sentir num anfiteatro cheio de pessoal. E nos filmes de cinema deles eu seria para sempre a vilã.
O que eles não sabiam é que eu era a tímida, a envergonhada. Que estava em cinema, com 17 anos, que era virgem, que não fumava ganza, que não andava a percorrer as caves obscuras do Porto. Daí ser diferente e não saber como me encaixar naquele "mundo" tão novo para mim. Ter a ânsia de me sentir enquadrada no mundo deles sem perder os valores porque sempre regi a minha vida (menina de coro criada em colégio de freiras).
Desde esse dia a minha vida mudou. Mesmo quando queria chorar sorria. Sorria para toda a gente. Perdi a capacidade de confiar na minha primeira impressão que sempre tinha sido tão certeira. Perdi a capacidade de ser genuína e só amar quem o meu coração ditava. Durante todos estes anos vivi no dilema de ser simpática para as pessoas, mesmo quando não as gramava. Porque queria passar uma imagem diferente, porque queria que não me vissem como a vilã. Queria que as pessoas se lembrassem de mim pela positiva. Como aquela que ajuda, que está sempre disponível, que nunca diz não. Mesmo que isso me estivesse a matar aos poucos. Passei a viver não a minha vida mas através do reconhecimento dos outros.
Havia alturas em que sufocava. Porque pensava que algumas pessoas que me olhavam bem nos olhos conseguiriam ver algum do fingimento. Que me iriam topar à distância. Então mentalmente vinham as ordens: Sorri, fala muito, concorda com tudo o que dizem. E assim fui vivendo com medo de magoar e ser magoada novamente.
Esse baque perseguiu-me até à umas semanas atrás. Quando finalmente o verbalizei. Quando decidi que era tempo de expulsar os demónios que habitavam aqui à muito.
E o que senti? Alivio. Porque as pessoas têm de gostar de mim pelo que sou e não pelo que querem que eu seja. Porque eu sou simpática, sou solícita, sou amiga para quem realmente merece fazer parte da minha vida. A vida tem mostrado que os amigos que nos conhecem realmente ficam para a vida. Quem estejamos a 1km ou a 8000 km de viagem. Os amigos metem-se num avião assim que podem quando sabem que outro amigo a 8000km de distância tem a vida a ruir. E vai sem cobrar nada, apenas para o ajuda a erguer novamente as paredes e a limpar os estilhaços que a guerra deixou. Os amigos preparam o coração e a casa dias antes da chegada para que quem chegue se sinta em casa. Tudo isto sem cobranças, sem exigir nada em troca. Apenas pela companhia e pelas risadas.
Os outros, aqueles que tentei agradar ao longo dos anos já cá não estão, já não fazem parte da minha vida. Desse ano num Mundo que não era o meu não ficou ninguém. Foi um ano vazio (valeu apenas para conhecer o G que também não fazia parte desse mundo). Um ano com lembranças boas e lembranças más, mas que não me trouxe ninguém para o presente e muito menos para o futuro.
Finalmente sinto que cortei as amarras com este passado que me perseguia. O amor que tenho está agora muito melhor direccionado. Para quem merece, para quem me merece.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Apesar do descanso


Não consegui cumprir a 100% logo ao segundo dia.

Afinal ontem foi tolerância de ponto e tivemos dia livre para podermos assistir à tomada de posse do Presidente.

E que fiz eu? Fiquei em casa? Népias.

• Pequeno-almoço na pastelaria;

• Visita à base militar. G foi levantar uma peça que vinha num avião e eu e a M fomos ver os caças a levantar voo (rasgar os céus);

• Armazém do G para deixar a peça e aproveitar para comer uns rebuçados e fazer uns desenhos (a M e não eu);

• Intenção de ir comer uma lagosta ao Namibe, mas a viagem foi cancelada para os lados da Humpata. Fila enorme de trânsito e nós sem saber onde a dita iria acabar (seria óbito, casamento, procissão? Nunca o saberemos) e M com uma birra descomunal;

• Inversão de marcha e apanhamos a estrada rumo a Ondjiva (parámos ao km 14) num Lodge de avestruzes. Piscina suja o que fez logo abortar as ideias de banho refrescante. Valeu pelo Parque infantil e a sombra do bar para beber uma cola geladinha;

• Avestruz e atacar o G por este ter invadido o seu espaço e M atrás dos perus porque queria trazer uma para casa para fazer arroz (What?);

• Volta ao Lubango, passar em casa a correr e ir piscinar e almoçar para um dos hotéis da cidade. M feliz, eu e G no relax a ver o pessoal a fazer casting para o "Bounce" (So you think you can dance Angolano);

• M feliz a comer a minha sopa, e as minhas batatas fritas;

• M descarada a ir ter com os moços do Bounce e perguntar "Vocês sabem dançar? Então ensina só ya?" Moços a dançar e ela dengosa a fugir deles;

• Voltar para casa e olhar para o relógio e ser APENAS 15:30. Dormir uma soneca no sofá. Estar cansada (qb) mas feliz.

Foi um dia preenchido, mas quando estamos com quem amamos o cansaço passa ao lado e chegamos ao final do dia a pensar que estaríamos muito mais cansados se tivéssemos passado o dia no escritório longe da nossa piolha.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Ontem consulta das 28 semanas (ou everia dizer 30 semanas + 4 dias) uma vez que pelo andar da carruagem vou parir um leitão?

Recomendação: Para poder viajar em Outubro tenho de fazer repouso à força. Apartir de hoje trabalho em part-time e descanso redobrado durante a tarde. 3 semaninhas desta "dieta" para poder estar fresca e fofa no grande dia do regresso a Portugal.