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sábado, 30 de novembro de 2013

O melhor do meu dia

Festejar o 1º Aniversário do Baby M.
Há um ano estava tão longe de imaginar o quanto o meu mundo iria mudar. Perdi o meu pai e o meu mundo nunca mais foi o mesmo. Nunca mais será. Não quis festejar o aniversário do baby M.
Convenceram-se a festejar a vida do meu filho e não a chorar a morte a morte do meu pai. Fiquei com o coração dividido. Pensei no desejo do meu pai e acabei por fazer a festa porque era isso que o meu pai celebrava sempre. A vida!
Cortei enfeites, engomei toalhas, fiz doces e salgados, decorei a casa até ao mais ínfimo pormenor. Recebi convidados, brindei com ele e sorri para a fotografia. Faltou cá o meu núcleo. A minha mãe em Portugal ainda viu algo pelo Skype. O meu pai viu-nos através das nuvens e das estrelas. Eu não os vi aos 2 e o dia não ficou completo.
No final da festa consegui sorrir de verdade. Pensar que o ano passou e eu sobrevivi. Ao desemprego, ao cancro, à morte do meu pai, a uma vida a 4.
Sempre soube que queria ser mãe de 2, e que a minha conta fechava ai.
Hoje senti-me pela primeira vez completa. Sorri porque sei que o meu pai me levou completa com ele. Dei-lhe os meus 2 filhos. Soube-o completo de mim e eu descansei.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Saudades


Faz hoje 4 anos que a minha mãe me telefonou e me disse que tinhas ido embora... Faz hoje 4 anos Que soube que a minha vida nunca mais ia ser a mesma Faz hoje 4 anos Que o meu Mundo desabou... Faz hoje 4 anos Que só me apetecia adormecer e só acordar quando tudo tivesse acabado... Faz hoje 4 anos Que não te vejo... Faz hoje 4 anos E as saudades são mais que muitas... Faz hoje 4 anos Sei que foi melhor para ti. Sei que já não tinhas saúde para aguentar muito mais... Mas mesmo assim custou ter de me separar de ti... Sim eu sou egoísta e queria-te aqui comigo até seres muito velhinha... Nunca tinha imaginado a minha vida sem ti... Pensava que ias estar sempre presente... Tinhas tantos sonhos... Ver-me a casar, conhecer a tua primeira bisneta... Mas não tiveste tempo para tudo... Ou se calhar eu é que fui a atrasada... Ainda hoje é difícil pensar em ti e saber que nunca mais te vou abraçar... Apesar de ter a certeza que estas sempre comigo... Que nunca me deixas na mão E que cada conquista que tenho o devo a ti que estas algures a torcer por mim... Tenho pena que não conheças a Matilde... Sei que a ias adorar e ela a ti... Mas tenho a certeza que tu já a conheces... E que zelas por ela da mesma maneira como se fosse eu... Tenho pena de não ter tido tempo suficiente para te agradecer tudo o que sou hoje... Faz hoje 4 anos que foste embora E eu não te agradeci o suficiente tudo o que fizeste por mim... Faz hoje 4 anos... Mas podiam ter passado 40 Avó... A saudade seria e será a mesma... 
 
01/06/2009

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Um amor que me ultrapassa

Às vezes não demonstro mas eu amo-te. Não demonstro porque acho que tu sabes e sempre soubeste. Pelos meus sonhos deixaste tudo. Fizeste dos meus sonhos os teus, os nossos. Olho para ti e penso que ao longo do dia não demonstrei o quanto te amo. Estamos sempre juntos, 24 horas em cada dia e seriam mais horas caso mais horas coubessem no dia. Trabalhamos, convivemos, moramos, almoçamos e jantamos juntos. Eu contigo e tu comigo. Durante a maior parte do ano só podemos contar um com o outro. Tornamo-nos apenas um com uma filhota linda e traquina. Estamos cá por ela. Estamos cá longe de tudo por nós. Porque o nosso sonho assim quis. Porque foi assim que decidimos ser felizes. Uns dias mais do que outros.

Para 2012 só espero continuar a história que já começou em 1999, sempre sem interrupções e sem contratempo.

O destino fez com que apesar da distância convergíssemos ambos para o mesmo ponto. E é por aí que nos vamos deixando ficar.

Damos mino, brincamos muito, e dizemos muitas vezes amo-te. Mas eu quero dizê-lo mais uma vez e outra: Amo-te. Mas já sabes disso. Já to disse mal abrimos os olhos de manhã.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Irfilha

Depois de ler um post da coco aqui á uns dias, percebi que tipo de amor sinto pela M. Até ao nascimento da Matilde tinha uma amor de irmã! Um amor incondicional, cúmplice que me levava a dar tudo por ela, a esconder as asneiras dos pais, a arranjar 1001 motivos para as chegadas tardias, para os deslizes, para os stresses. Era a minha manuxa, que eu vi crescer e que partilhou o quarto comigo durante 8 anos (depois mudamos de casa)! Quando a Matilde nasceu eu conheci outro tipo de amor. O amor de mãe. Aquele que a minha mãe sempre me disse ser incapaz de explicar. E que como alguém tão bem descreveu "é apenas o nosso coração a bater fora do nosso peito". Foi ai que percebo que metade de mim amava e ama a M como Irmã e a outra metade ama como Filha. É por isso que cada vez que me pede ajuda pra sair, eu ajo como Irmã e ajudo-a a arranjar 1001 estratagemas para sair. É por isso que quando pede coisas emprestadas eu empresto. É por isso que sou a companhia para os bons e maus momentos. Depois há os momentos que sou Mãe dela. Que detesto as más notas (felizmente são poucas e raras). È por isso que morro de desgosto quando ela diz que me odeia e queria que eu morresse (eu também sei que é da boca pra fora). É por isso que lhe dou na cabeça quando a vejo fazer merdas. E é por isso que sonho com o futuro dela, que anseio pelas suas vitórias e com o seu sucesso, assim como sonho com o da Matilde. Também amo o meu irmão. Mas é tão diferente. Apesar de igualmente forte. Ele é o meu pilar! Aquele que mata meio mundo se esse meio Mundo tentar lixar a minha vida!
 
Amanhã a minha irfilha atingirá a sua 2ª maioridade. Entra definitivamente com os 2 pés na idade adulta.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Pessoas da minha vida: Avó B.

Uma das pessoas mais importantes da minha vida foi a minha avó paterna, diria mesmo que ela foi A avó. Infelizmente não conheci a outra, mas sei pela minha mãe que o desejo que ela tinha em me conhecer era enorme. Infelizmente a vida pregou-lhe uma valente rasteira e levou-a 2 meses mais cedo.

Mas falemos da avó B, que é disso que este post fala. Foi A avó e sempre o será. É a minha alma gémea e sei que está comigo desde o dia em que nasci, até ao dia do meu ultimo suspiro quando nos voltaremos a reencontrar. Vai para 6 anos que alguém ma levou, ou que ela se deixou levar, cansada pela vida e com um percurso cheio de alegria, tristezas e muito muito trabalho e sacrifício. Em todos estes dias que passaram não sinto que me tenha abandonado, pois de cada vez que me vejo em baixo e a tristeza me persegue surge sempre algo para me tirar lá do fundo, há sempre uma lanterna suspensa no ar que me trás de volta à realidade.

Desde que a M nasceu há 2 anos e meio essa presença está cade vez mais forte. Está presente no tique das mão, na paixão desenfreada por pão, na colocação da mão na cintura e a maneira como diz "ai a minha vida", está no olhar de zanga fingida, nos seus pés calorentos quer faça frio ou sol, chuva ou neve. Estão sempre quentes e nus a pisar o chão frio como o gelo. Gosto de acreditar que uma parte da minha avó B renasceu no dia que a M saiu de dentro de mim.

O tempo não aligeirou a saudade. Ainda no Natal não consegui conter as lagrimas ao ver os vídeos antigos, ao ouvir de novo a sua voz que tantas vezes me deu conselhos, ralhetes mas também muito incentivo e que principalmente me ajudou a construir os meus sonhos.

Foi a única pessoa que eu fui incapaz de abandonar porque eu era A neta. E uma neta não pode deixar uma avó na mão.

Eu fui A neta. Aquela a quem ela ensinou a ler, aquela a quem sorrateiramente mentiu ao filho e nora para me ir arrancar de um infantário que eu odiava, aquela que me dava leite achocolatado todas as tardes, aquela que tantas vezes cozinhou arroz de ervilhas, ovos e salsichas por mimo, aquela a quem limpou as lagrimas, aquela que em plena adolescência abria mão das tardes na praia com os amigos para passa-las com ela na mercearia a ajuda-la com as "freguesas". Eu fui A neta e tenho muito orgulho nisso.

Disse-lhe vezes sem conta o quão importante era na minha vida. Ela sempre o soube. Eu sei o quão importante fui para ela. Isso basta-nos a ambas. Esta relação perdura e nada nem ninguém poderá limpar e aliviar as lagrimas que verto de cada vez que falo ou escrevo sobre ela. Eu e ela, ela e eu. Eramos uma até ela partir. Agora sou só metade de mim.